Arquivo da categoria ‘Lá vai a mousse!’

1) Eu odeio gente que confunde os verbos “recusar” e “negar” (ou seja, 90% dos jornalistas e roteiristas semianalfabetos que trabalham na TV atualmente).
2) Eu odeio quem confunde os verbos “perguntar” e “pedir”, mas menos do que o ódio 1, porque é até bonitinho.
3) Eu odeio a Ana Vilela, gorda do caralho, por dar visibilidade e empoderar (aliás, odeio “empoderar” também) o anglicismo “é sobre” como tradução porca, filha da preguiça mental, da expressão “it’s about”.
4) Eu odeio PIBs (PseudoIntelectuais Babacas, aprés Luís Ibiúna) que se metem a dar palestras e são incapazes de concluir frases ou concatenar ideias com qualquer semblante de estrutura e lógica (odeio especialmente porque estou tendo que traduzir uma tonelada dessas).
5) Eu odeio o acéfalo de marketing (pleonasmo?) que inventou que “panettone” vem de “Pane di Toni” e escreveu isso na caixa do dito cujo, fazendo essa idiotice chegar até a Itália e ser engolida por alguns cretinos (eles existem lá também).
6) Eu odeio o Mário Sérgio Cortella, anta residente de TV, que popularizou a “explicação” de expressões saborosas e perfeitamente legítimas como “cor de burro quando foge” e “cuspido e escarrado”, inventando (ou espalhando) que vieram de “corro de burro quando foge” e “esculpido em Carrara”, entre outros non-sequiturs semelhantes, de corar as orelhas de vergonha alheia. E odeio por tabela o Jean Wyllys que dia desses citou essa papagaiada como exemplo de saber “acadêmico”.
7) Eu odeio a palavra “mídia”, aportuguesamento bastardo da pronúncia inglesa de uma palavra em latim que é PLURAL, e que foi incorporada ao idioma como SINGULAR e FEMININA!!! (medium –> media –> mídia) AAAAAAHHH!
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Reflexões Sobre O 7×1

Publicado: 09/07/2014 em Lá vai a mousse!

Tem gente dizendo que foi castigo. Obviamente foi um castigo, sim. Mas não um castigo só pra Dilma, pra CBF, Felipão ou jogadores. É um castigo pra nós todos, pro povo brasileiro também. Não é a derrota que é o castigo, isso é do jogo, e vimos que a Espanha e Portugal foram castigados também nesta Copa, ainda que em menor medida. Aliás, não: pela fria contabilidade dos resultados, o castigo deles foi maior. Nós chegamos mais longe. Vamos disputar o terceiro lugar. Somos a quarta melhor seleção do mundo, no mínimo. Eles ficaram pelo caminho antes, são piores.

O brasileiro precisa aprender a redimensionar seus valores, e também aprender de uma vez que um tropeço é um tropeço e pode acontecer. Eu acho que tem que ir lá e torcer muito pro Brasil ganhar no sábado, principalmente se for contra a Argentina, não porque eles são maus, mas pela boa, velha e saudável rivalidade que temos no futebol.

O castigo é a vergonha que sentimos, não o resultado. Vergonha por nos acharmos superiores, “abençoados por Deus”, por sermos oportunistas, acomodados, piegas e tontos. Me incluo nesse número também, só pelo breve tempo que durou essa Copa, porque essas coisas não me afetam tanto, e a minha vergonha futebolística já está passando.

Olhem a Costa Rica. Não, caramba, olha a França, a Espanha! Eles perderam e perderam antes da gente, mas fora do âmbito da imprensa esportiva, aposto que ninguém está falando em vergonha. Eles continuam tendo um esporte mais estruturado, e amanhã podem dar uma surra na gente ou fazer bonito em outra competição, vida que segue.

Vergonha não é perder um jogo por 7 a 1, vergonha é tentar fazer um viaduto pra um fim específico, com tudo a favor e dinheiro sobrando, ele não ficar pronto a tempo e ainda cair e matar gente. Vergonha é vaiar autoridades, acomodados no conforto espúrio da classe média, alegando ser contra a corrupção, quando na verdade faz-se isso puramente por inveja, por não poder também meter a mão no que não lhe pertence (ou não meter tanto a mão quanto se gostaria). Vergonha é ser filhinho de papai, financiar o narcotráfico comprando drogas recreativas e se achar politizado por ir à rua escoltando a marginália que quebra vitrines e põe fogo em carros. Vergonha é não saber governar um país. E não estou falando só dos governantes não, nisso incluo eu, você, eles, nós todos. Nós não sabemos administrar essa porra.

Aliás, vamos falar a real? Sabem por que é um castigo, sim? Porque problema não é a vergonha, na verdade; é a falta de vergonha. Já que não nos envergonhamos da corrupção arraigada na mentalidade DO POVO (porque governantes corruptos todo país tem, mas povo corrupto, acho que só aqui), do analfabetismo funcional, da insensibilidade com os problemas alheios, do farinha-pouca-meu-pirão-primeiro, do jeitinho brasileiro (no mau sentido, que meu pai costumava condenar), do machismo, da violência contra a mulher, da discriminação de cor/credo/renda/orientação sexual, do baixo índice de desenvolvimento humano, da péssima distribuição de renda, da ganância, da lei da vantagem (pra não manchar mais um jogador, que só cometeu o erro de fazer propaganda de cigarro numa época que fumar era chique), da apologia à mediocridade que infesta nossa cultura e arte, do puxa-saquismo e imitação simiesca das coisas mais toscas que vêm de fora, então que esse 7 a 1 nos cubra de vergonha. Afinal, um pouco de vergonha na cara não faz mal a ninguém.

E tenho dito.

Muitos grupos e músicos estão buscando formas alternativas de distribuir seus trabalhos. As vendas pela Internet, ou até mesmo downloads gratuitos para quem baixa, financiados pelo tráfego gerado, estão crescendo. Acho tudo muito legal, mas tenho algo a dizer. E vou dizer agora. Lá vai: sinceramente, eu acho que já contribuí o suficiente, de forma compulsória, para a indústria cultural mundial, principalmente o cancro peçonhento conhecido como indústria fonográfica, que agora está moribundo, consumido pela própria cupidez desenfreada. Lembro que uma vez, algumas décadas atrás, acometido por momentânea depressão, entrei numa loja e saí de lá minutos depois com uns 30 CDs. Devo ter gastado o que equivaleria hoje a uns mil reais numas bolachinhas cujo valor material não alcançaria, na melhor das hipóteses, dez mangos. Tudo isso para ter o privilégio de ouvir a música que eu quisesse. Agora aturo diuturnamente a música que não quero ouvir (com a popularização das aparelhagens de som potentes, estamos todos à mercê dos símios portadores de RG que andam por aí ouvindo o sambanejo/forrogode/funkaxé/merdalixo que estiver “bombando” no momento), e quanto às que eu quero ouvir… como é mesmo, Raulzito? Nóis num vamo pagá nada / Nóis num vamo pagá nada / É tudo free / Tá na hora / É tudo free / Vamo embora! É isso mesmo. Não pago mais porra nenhuma. Baixo tudo de graça e compartilho mesmo. O compartilhamento, também chamado de peer-to-peer, P2P, file sharing, etc., apesar da pecha de “pirataria”, NÃO É e nunca vai ser crime. Aliás, depois de ver um bandido salafrário e sem honra se promovendo na aba do combate à pirataria, chego a achar que ser “pirata” é uma honraria.

A verdade é que, apesar da (ou até graças à) Internet, quem tem que ficar famoso continua ficando, quem tem que fazer sucesso ou ganhar dinheiro continua conseguindo ambas as coisas. A única que parece estar se coçando e se incomodando com a nova ordem mundial é a indústria da mídia. Good riddance to bad rubbish. Traduzindo em bom português: tá morrendo, fia? Já vai tarde.

Escrevi o texto abaixo há uns meses como comentário no blog de uma garota que defendia a substituição dos livros de papel por tablets, mas ela não leu (portanto nem publicou até hoje [atualizado 01/06/2012], o que me leva a crer que de duas uma, ou ela morreu ou é uma tremenda babaca – e o engraçado é que nesse ínterim acabei comprando um tablet que até uso pra ler, hehe), então vou publicar aqui – assim ele passará da visibilidade 0 à visibilidade 0,01. E vou publicá-lo em português e inglês, como a esnobe fez com seu post.

***

Não sei ao certo qual a sua língua-mãe, mas vou presumir que seja o inglês, porque o texto em inglês está muito melhor escrito do que o texto em português.

Sinto-me inclinado a concordar com você (cum grano salis) se estiver falando dos tablets substituírem LIVROS DIDÁTICOS no contexto escolar. Mas se você está defendendo que os tablets (ou qualquer outro tipo de dispositivo multimídia) substituam TODOS os livros, está lamentavelmente enganada.

Você diz que está lendo mais desde que comprou seu Kindle. Isso significa que o Kindle é melhor do que os livros de papel? Não, significa apenas que você está deslumbrada com uma nova traquitana, algo que todos sentimos sempre que mais uma bugiganga nos é jogada pela nossa sociedade consumista. Talvez esse não seja o seu caso, mas eu me lembro de uma época em que os celulares não existiam e todos viviam normalmente, sem nenhum problema. Agora, de repente, ninguém mais consegue viver sem um celular.

Pessoalmente, acho o Kindle uma péssima ideia. Qual a vantagem de comprar livros online pelo mesmo preço das edições de papel? A funcionalidade, você diz. Bem, deixe-me contar uma coisa: ando experimentando a e-leitura (mas usando um notebook rodando o software Kindle, não um Kindle mesmo) e já notei alguns problemas sérios de funcionalidade. Ao ler um livro, às vezes você quer folheá-lo para voltar e reler algo, ou ir para o início de um capítulo, ou virar as páginas para ver quantas faltam até o final do mesmo. Eu faço muito isso. É algo fácil de fazer num livro de papel, mas é um pé no saco num Kindle ou num tablet.

Eu acho que uma nova tecnologia se justifica quando melhora as antigas, e no que diz respeito à leitura, não acho que o Kindle seja um melhoramento. O único “melhoramento” real é que ele permite carregar milhares de livros – para quê? Levando em conta que é impossível ler tantos livros assim numa vida inteira. O negócio vai virar pó na tua mão antes de você conseguir lê-los todos.

Ah, e a propósito, o Kindle NÃO é um tablet. É um aparelho muito mais limitado – mas suas limitações são, a meu ver, sua maior vantagem. Eu explico. Você gosta de ler porque teve a sorte de ter sido exposta, ou inclinada, aos bons e velhos livros de papel desde uma tenra idade, suponho. Esse é o principal motivo de você pensar em usar um tablet para ler textos. Mas entregue um tablet a uma criança em vez de livros – como você acha mais provável que ela irá usá-lo? Para ler… ou para jogar Angry Birds ou algum outro videogame?

Você diz que o computador não deixa as crianças mais burras. Com certeza não. Mas ele torna alguém mais inteligente? Convido você a surfar por qualquer sala de chat, rede social ou coisa parecida e descobrir. As pessoas estão DESaprendendo a ler e escrever desde que os computadores pessoais se popularizaram? Estão se tornando mais superficiais? Seu tempo limite de atenção está ficando cada vez mais curto? A resposta é SIM.

Eu tenho pena dos pais ignorantes que acham que estão melhorando seus filhos de alguma forma expondo-os ao computador. Para mim, isso é tão absurdo quanto achar que alguém vai ficar mais inteligente por ter um telefone ou um aparelho de TV por perto. Por outro lado, sei de incontáveis casos de pessoas que realmente ficaram mais inteligentes por terem crescido no meio de LIVROS – você provavelmente é uma delas.

E fique sabendo: os tablets não vão substituir os livros. Nem logo, nem nunca. A morte do livro de papel já foi anunciada outras vezes – a última foi quando os computadores pessoais se popularizaram – e não aconteceu. Eu estava lá na época, e acredite, a gritaria sobre “o fim da palavra impressa” era até maior do que agora.

Naturalmente, jamais devemos subestimar a estupidez humana. Talvez alguém resolva tentar acabar com os livros de papel só para alavancar as vendas de algum novo brinquedo bacaninha. Aí poderemos conferir o que vai acontecer com o cérebro das pessoas e sua capacidade de aprender.

Não me entenda mal: se você acha que os tablets podem ajudar as crianças a aprender alguma matéria chata na escola, tudo bem. Concordo com isso. Afinal, até um quadro-negro, quando bem utilizado, é melhor do que um livro didático árido e tedioso, e o tablet pode ser uma evolução do quadro-negro. Mas, como alguém que acredita firmemente no autodidatismo (que deu muito certo no meu caso), eu digo: sim, os livros são INSUBSTITUÍVEIS. Posso até me adaptar e apreciá-los em algum formato digital, mas isso porque aprendi a amar aqueles do tipo antigo (duas capas e muitas páginas dentro) primeiro, e portanto as firulas multimídia não me impressionam nem um pouco. Ah, e eu ODEIO videogames.

ENGLISH VERSION (duh)

I’ve written the following text a couple months ago as a comment on the blog of a girl who argued in favor of tablets replacing printed books, but she hasn’t read it (therefore hasn’t published it either yet – the funny thing is, I ended up buying a tablet myself, haha), so I’m gonna publish it here – that way its visibility’s gonna be boosted from 0 to a whopping 0.01. And I’m gonna do it in Portuguese and in English, just like the big snob did with her post.

***

I’m not sure which your main language is, but I’m gonna assume English because the text in English is so much better written than the one in Portuguese.

I’m inclined to agree with you (with a grain of salt) if you are talking about tablets replacing TEXTBOOKS in a school context. But if you are making a case for tablets (or any kind of multimedia device) replacing ALL books, you are sadly mistaken.

You say you are reading more books since you got your Kindle. Does this mean Kindle is better than printed books? No, it just means you’re in awe of a new gadget, something we all experience when another trinket is thrown our way by our consumist society. Maybe this is not your case, but I remember a time when cell phones didn’t exist and everyone went on with their lives just the same. Now, all of a sudden, no one can live without a cell phone.

I personally think Kindle is a bad idea. What’s the point of selling online books for the same price of printed ones? Functionality, you say. Well, let me tell you, I’ve been toying with e-reading (but using a notebook running the Kindle software, not a Kindle device) and I detect some serious functionality issues. When you are reading a book, sometimes you want to leaf back to re-read something or to go to the beginning of a chapter, or leaf forward to see how far you are from the end of the chapter. I do that a lot. That’s very easy to do on a printed book, but it’s a pain in the ass on a Kindle or tablet.

I think the point of a new technology is to improve on old ones, and as far as reading goes, I don’t think Kindle is any improvement. The only real “improvement” is, it allows you to carry thousands of books around – what for? Considering it’s impossible to read that many in a lifetime. The darn thing is going to rot before you can read them all.

Oh, and by the way, Kindle is NOT a tablet. It’s a much more limited device – but its limitations are, in my view, its best asset. I’ll explain. You are interested in reading because you were fortunate enough to have been exposed to, or to have taken interest in, the good ol’ printed books since an early age, I guess. This is the main reason you even consider using a tablet to read text. But give a tablet to a young child instead of books – what do you think (s)he’s more likely to use it to? To read… or to play Angry Birds or some other videogame?

You say computers don’t make kids dumber. They certainly don’t. But do they make people smarter? I invite you to surf any number of chat rooms, social networks and the like, and find out. Are people UNlearning how to read and write since personal computers became popular? Are they becoming more shallow? Is their attention span getting shorter and shorter? The answer is YES.

I pity the ignorant parents who think they are improving their kids in any way by exposing them to computers. To me, that’s every bit as absurd as thinking someone will get smarter by being near a phone or a TV set. On the other hand, I know of countless cases of people actually getting smarter by growing up among BOOKS – you are probably one of them.

And let me tell you: tablets won’t replace books. Not soon, not ever. The death of printed books has been announced before – last time was when personal computers became popular – and it didn’t happen. I was around back then, and believe me, the clamor about “the end of the printed word” was even noisier than it is now.

Of course, we can never underestimate human stupidity. Maybe people will try to do away with paper books just to boost some glitzy new toy’s sales. Then we’ll get to see what that will do to people’s minds and their ability to learn.

Don’t get me wrong: if you think tablets can help children learn some boring subject at school, fine. I agree with that. After all, even a blackboard, when well used, is better than a plain dull textbook, and a tablet can be an improvement over a blackboard. But as someone who strongly believes in self-teaching (it has worked fine in my case), I say: yes, books are IRREPLACEABLE. I may even adapt and enjoy them on some digital form, but that’s because I have learned to love the old-fashioned kind (two covers, lots of pages inbetween) first, so the multimedia fluff doesn’t faze me at all. Oh, and I HATE videogames.

Bem, o que mais eu podia fazer? Ele era um caso sem salvação. Não sou um bully; jamais agredi um crioulo na vida. Eu gosto de crioulos – no lugar deles – sei como lidar com eles. Mas decidi que era hora de mandar um recado pra certas pessoas. Enquanto eu viver e puder fazer algo a respeito, os crioulos vão ficar no lugar deles. Crioulos não vão votar onde eu moro. Se votassem, iriam controlar o governo. Eles não irão pra escola com meus filhos. E quando um crioulo chegar a insinuar sexo com uma mulher branca, é porque ele cansou de viver. Provavelmente vou matá-lo. Eu e minha família lutamos por este país, e temos alguns direitos. Eu fiquei naquele celeiro, ouvindo aquele crioulo despejar seu veneno sobre mim, e aí tomei uma decisão. “Garoto de Chicago”, eu disse, “estou cansado deles mandando sua laia pra cá pra arrumar encrenca. Seu porra, vou te transformar num exemplo – só pra todo mundo saber o que eu e meu pessoal pensamos.”

O texto acima é parte de uma entrevista concedida em 1956 à revista Look por J. W. Milam, assassino confesso (e absolvido) de Emmett Till, garoto negro de 14 anos brutalmente torturado e assassinado um ano antes no Estado do Mississippi por ter paquerado uma mulher branca. Chocante, não? Agora substitua a palavra “crioulo” por “gay”. Algumas frases não começam a soar estranhamente familiares? Ultimamente estamos ouvindo falar muito do “perigo” da perniciosa influência dos gays nas escolas, no Congresso e na sociedade. Não sou preconceituoso; jamais agredi um gay na vida. Eu gosto de gays – no lugar deles.

Impossível não tocar nesse assunto com toda a azáfama que a votação da PLC 122 (projeto de lei que criminaliza a homofobia) está causando. Acabei de ver pela TV a primeira “cerimônia” de união estável em Curitiba, entre Toni Reis e David Harrad, figuras quase lendárias e sempre presentes na mídia, juntos há 21 anos (uma estabilidade matrimonial de dar inveja a muitos heterossexuais, incluindo este escriba), e fiquei sinceramente comovido. Ao mesmo tempo, nunca ouvi tanta besteira, tanta coprolalia por parte da versão tupiniquim das Concerned Mothers Of America – de ambos os sexos e de todos os estratos sociais.

Que porra de sociedade é essa em que vivemos, que é mais tolerante com traficantes, assassinos e ladrões do que com pessoas de bem que decidem dar o que é delas para quem elas bem entendem? Bem, tenho certeza, ninguém quer ler uma análise psicossociológica do fenômeno, mas como o blog é meu e eu escrevo o que quero aqui, é exatamente isso que segue abaixo.

Por que os gays incomodam tanto? (Usando gays, homens homossexuais, só à guisa de exemplo; o mesmo se aplica às outras letras da sigla LGBTT. De qualquer forma, acho que os gays ainda são os mais discriminados.) Porque “forçam” as pessoas a rasgar o véu da hipocrisia da nossa sociedade de aparências e pensar naquele infame urso branco – o sexo. Ninguém aguenta conviver com a ideia de que o chefe de Estado, o presidente da multinacional, a prima ballerina, a flautista da orquestra, o pastor evangélico, o padeiro, a tiazinha da faxina de vez em quando tiram a roupa e ficam esfregando suas zonas erógenas em alguém até que fluidos corporais são ejaculados e/ou preenchem as mais variadas cavidades e orifícios de seus corpos. Que coisa nojenta! E um gay, por definição, é um ser sexual – a alcunha induz a mente a pensar em sexo, e sexo que foge à norma, ainda por cima.  Um homem hetero não carrega em sua denominação o peso de sua vida sexual. Ninguém pensa nisso ao olhar para ele. Tudo isso fica oculto, esquecido, intocado, à disposição da nossa excitável imaginação só quando necessário. Os gays são vistos como seres sexuais a qualquer hora e em qualquer lugar. Ai, como vou pegar na mão de uma criatura dessas? Ele tava segurando um pinto agora há pouco!

Essa percepção distorcida fica bem evidente no temor que a convivência com um homoafetivo (só pra usar um termo meigamente correto) inspira: E se ele me paquerar?, pensa o heterossexual acuado. O filho da puta não pega nem gripe, não dá tesão nem num pernilongo, mas é só chegar perto de uma inocente bichinha que o desgraçado acha que virou o Brad Pitt! Irresistível! Ele será estuprado! Como a biba pode resistir?!

Tá, mas é contra a natureza! (Ouvi essa imbecilidade hoje na TV.) É errado. O certo é homem com mulher, mulher com homem. Bem, biologicamente, o certo para o homem é sair na rua e pegar a primeira menina de 13 anos que o atrair, logo após a menarca, montar em cima dela e engravidá-la. Melhor ainda se puder fazer isso com várias meninas, pra espalhar bem o seu material genético.  Aliás, deveríamos todos andar nus, pra facilitar essa tarefa reprodutiva. Esse negócio de usar roupas é totalmente antinatural.

E aí? Vamos começar a fazer o que é certo, então? A lei que criminaliza a pedofilia está tão errada quanto a lei que criminaliza a homofobia. Não é natural! É contra a natureza, gente!

Aqui vai um recado para quem está ouriçado com a PLC 122, perdendo o sono com a “cartilha gay” distribuída nas escolas ou se coçando por causa das possíveis “más influências” sobre as criancinhas: vamo caçar o que fazer, putada? O que eu me lembro da minha passagem pelo que então se chamava de ginásio, da 5a. à 8a. série (numa época, diga-se de passagem, em que a bandalheira era muito menor, a pornografia não estava ao alcance de todos em qualquer computador, e pra gente vislumbrar uma vagina  – na verdade, um chumaço de pelos do tamanho de um poodle, não dava pra ver nada – alguém precisava contrabandear umas revistinhas mal impressas pra dentro da sala de aula), o que eu me lembro dessa época, eu dizia, é que se ouviam, se falavam, se viam, se escreviam e em alguns casos até se praticavam indecências muito maiores do que qualquer coisa que a famigerada “cartilha gay” possa conter, e isso não impediu quem tinha de ser hetero de continuar hetero, quem tinha de ser gay de virar gay, certas meninas de serem promíscuas e outras de serem mais recatadas, e por aí vai. Assim caminha a humanidade. O  porcentual de bichas loucas  no mundo, historicamente, é igual ao porcentual de idiotas: é uma constante, não muda. Hoje em dia parece que tem mais porque elas não ficam  se escondendo no armário; vão todas pra Paulista fazer bagunça uma vez por ano.

Falando nisso, outra incongruência: todo mundo condena a Parada Gay, que dura só um dia e onde no máximo rolam uns beijinhos na boca, mas ninguém fala mal do Carnaval, que é quase um mês de putaria de todos os tipos, não só homo, mas hetero, bi, tri, trans e pansexualismo levados ao extremo! Por favor neh? Vamos parar com a hipocrisia, seus cu-de-burro! Vão tudo trabalhar na construção civil! Vão carregar bloco e amassar barro o dia inteiro pra não sobrar energia pra ficar especulando o que as bicha faz na cama! Ouviu, seu Bolsonaro? Tá com medinho que os filhinhos possam ser “influenciados” na escola? Ui, que meda! E se eles derem o rabo e gostarem? Não põe a mão no fogo pela sua prole não? Com certeza, então, o nobre deputado já deve ter sentido uma coceirinha suspeita no pandeiro, e tem medo que os rebentos soltem a franga que a duras penas o senhor ainda consegue segurar. Deixa os moleque dar a bunda e ser feliz, seu Bolsonaro! (Obs.: os erros de concordância neste parágrafo são minha singela homenagem a outra cartilha  infame que esteve em evidência esta semana. Mas prometo que não faço mais.)

Só um esclarecimento final: eu me considero razoavelmente tolerante, mas não acho atraente, excitante ou esteticamente satisfatório ver dois homens se beijando. Procuro evitar  focar muito a atenção quando presencio um beijo gay,  e se não evitasse, talvez tivesse até que admitir que a cena me causa uma leve repulsa. Só que essa repulsa nem se compara com a profunda náusea, a revolta estomacal que sinto  nas entranhas quando ouço alguém dizer que os gays deveriam morrer, que a AIDS é um castigo divino e outras bestialidades do gênero. Então, se homens se beijando causam desconforto às pessoas que vomitam tais absurdos, eu quero mais que eles se beijem, mas se beijem muuuuito em público. E só não agarro um bigodudo e dou um beijão porque aí já é pedir demais, hehe.